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Cruzando a linha

Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. 1 João 2:15

Cristo não diz que o ser humano não servirá a dois senhores, mas que ele não pode fazê-lo. Os interesses
de Deus e os interesses de Mamom não têm ligação ou correspondência. Justamente onde a
consciência do cristão o adverte para deter-se, para negar o próprio eu, aí mesmo o mundano ultrapassa a
linha a fim de condescender com suas propensões egoístas. De um lado do limite está o abnegado seguidor de
Cristo; do outro lado, está o amante do mundo, complacente consigo mesmo, cortejando a moda,
empenhando-se em frivolidades e regalando-se em proibido prazer. Àquele lado do limite, o cristão não pode
ir.
Ninguém pode ocupar uma posição neutra; não há classe neutra que ame a Deus e sirva ao inimigo da
justiça ao mesmo tempo. Cristo deve viver em Seus instrumentos humanos, trabalhar por intermédio de suas
faculdades e agir por meio de suas aptidões. A vontade deles precisa estar submissa à Sua vontade; eles devem
agir com o Seu Espírito. Então, não mais vivem eles, mas Cristo é que vive neles. Aquele que não se entregou
inteiramente a Deus está sob o controle de outro poder, escutando outra voz, cujas sugestões são de caráter
inteiramente diverso. Um serviço pela metade coloca o agente humano do lado do inimigo, como bem-
sucedido aliado das hostes das trevas. Quando indivíduos que se dizem soldados de Cristo se deixam usar na
confederação de Satanás e ajudam o seu lado, eles demonstram ser inimigos de Cristo. Traem sagrados
depósitos. Formam um elo entre Satanás e os verdadeiros soldados, de modo que, por meio desses
instrumentos, o inimigo está operando continuamente para roubar o coração dos soldados de Cristo.
O suporte mais poderoso do vício em nosso mundo não é a vida iníqua do dissoluto pecador ou do
degradado; é a vida que, ao contrário, parece virtuosa, respeitável e nobre, mas na qual é nutrido um pecado; a
vida em que há complacência com um vício. Para a alma que está lutando intimamente contra alguma
gigantesca tentação, tremendo à beira de um abismo, o exemplo é um dos mais poderosos estímulos a pecar.
Aquele que, dotado de altas concepções da vida, da verdade e da honra, viola um preceito da santa lei de Deus
de modo voluntário perverte seus nobres dons, tornando-os um laço para o pecado. O temperamento, o
talento, a simpatia, mesmo a generosidade e as boas ações podem tornar-se uma cilada de Satanás para
seduzir pessoas para o precipício da ruína nesta vida e na por vir.

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